quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Onde está Wally?"

A BUSCA POR SI MESMO



Quem é que nunca acompanhou esse clássico joguinho de origem britânica? Wally é um viajante que sempre se veste com uma camisa listrada em vermelho e branco, com um gorro nas mesmas cores, usa óculos e também possui uma bengala. Ele surgiu nos livros, já foi para as telinhas da TV e agora projeta ir para as telonas do cinema. O desafio é sempre encontrar Wally e seus pertences em meio a uma multidão e entre tantos outros objetos e lugares, fazendo-nos exercitar a capacidade de percepção, diante da tamanha ilusão de ótica criada pelo autor.

Pense em quantas vezes queremos nos tornar wallys da vida? Viajar, nos esconder dos problemas, sofrimentos, da realidade, responsabilidades, do outro, das resoluções e principalmente de nós mesmos. Mas no fundo sabemos que a ‘fuga’ nunca é a resolução para todas as nossas angústias, pelo contrário, agrava ainda mais a situação.

Partindo para o eixo da sociedade em que vivemos, o individualismo tem sido um dos sistemas mais evidentes em relação à fuga da realidade Como? Pois bem, aí está você querido leitor, conectado a este blog através de uma rede virtual. Você e este computador, notebook, ou celular. É uma atividade extremamente solitária que, se não houver um certo cuidado, aos poucos pode te afastar do convívio social. Os avanços tecnológicos têm sido um dos principais fatores responsáveis à prática do individualismo. As pessoas se fecham em si mesmas e o sistema capitalista nos leva a entender que a supervalorização do individuo nos faz viver sós. “A própria ciência mostra que é impossível ao ser humano viver isolado de outro ser humano. Somos humanos porque aprendemos, na convivência com outro humano, a ser humanos.”¹

O desafio maior está no reconhecimento do ser humano como indivíduo que sabe e deve conviver em sociedade. Não ser mais um Wally que vive se escondendo dos outros, mas compartilhar dos valores que aprende durante a sua formação como cidadão. Descobrir-se através dos desafios impostos pela vida.

Quando você se encontra as coisas realmente começam a funcionar. Todos os problemas têm soluções. Fugir não é a melhor delas. Já dizia o místico indiano Osho: “Você se esconde e aguarda ser descoberto por si mesmo”. Pratique o exercício de se encontrar todos os dias. O próprio ato da busca faz com que algo cresça dentro de você.

Por Lorena Morais



Para relembrar o famoso joguinho, clique na imagem e procure nosso viajante:





¹ ARRUDA, Abílio Tadeu. Individualismo. Disponível em: http://www.artigonal.com/evangelho-artigos/individualismo-1083103.html


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Escolhendo escolher

"Você faz suas escolhas e as escolhas fazem você"
(Shakespeare)

Eu escolhi não casar, fazer jornalismo, ter um sofá-cama vermelho, cabelos cacheados e chinelo de dedo. Escolhi escrever à lápis, desligar o celular ao dormir e ler livros de romance. Escolhi arroz à grega, feijão preto e suco de laranja pela manhã. Escolhi comprar uma bicicleta de cestinha, bolsa retornável e caderno de folhas recicláveis. Escolhi tomar chá de erva-doce ao entardecer. Escolhi dormir até tarde aos domingos. Escolhi, enfim, escolher.

Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas, certo? Vem da mesma ideia de que somos responsáveis pelos nossos atos. É fato. Mas por que você insiste em opinar nas minhas escolhas, hein? Por que te incomoda tanto que eu tenha escolhido morar no quinto andar de um prédio sem elevador se sou eu que desço as escadas? Você nem me visita e isso te incomoda tanto? É incrivel essa mania que as pessoas têm de fazer escolhas por nós. Isso começa com os pais: que preferem que os filhos sigam tal carreira ou que namorem o filho de fulano de tal que é mais certinho. Pura satisfação pessoal. Filhos que preferem suprir os sonhos não concluídos dos pais são profissionais frustrados ou vivem um casamento infeliz.

Decisões são difíceis, no entanto uma vez tomadas permanecem por toda nossa vida, por bons resultados ou cicatrizes. E principalmente por experiências, baseadas nos erros que vemos ou vivenciamos. Essas mancadas vem das escolhas erradas que fazemos. É inevitável, porém ao mesmo tempo é incrível o quanto amadurecemos e nos formamos a partir de nossas escolhas.

O pronome no plural já expõe a ideia possessiva: nossas. Ou seja, nossas escolhas formam nossa personalidade, o nosso quem sou eu.


Lorena Morais
  • Querido leitor, boas escolhas para a construção de você mesmo!


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