Mostrando postagens com marcador Saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saudade. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de janeiro de 2011

Falta uma peça

Imagem do Google
As pessoas insistem em me perguntar sobre você. E eu fujo do assunto, me finjo de forte e digo que não quero nem saber. Mas por dentro morro de curiosidade de saber se continua acordando tarde como sempre gostou. Se ainda gosta de suco sem açúcar. Se está trabalhando. Se alguém ocupa seu coração ou a sua cama. Ou se ainda pensa em mim...

Talvez já tenha alguém para lhe acordar cedo todos os dias e fazer seu café. Talvez você já tenho feito planos. Talvez já tenha me esquecido ou mudado de endereço.

Não sei como e porque te deixei ir embora, já que hoje tudo me lembra você: a música dos Novos Baianos que me ensinou a gostar; a camisa que uso para ir a faculdade e que você pintou; a calça xadrez, o all star branco; o inglês que me ensinou e até a calcinha fio dental que você adorava.

Hoje não tem mais café na cama, hoje não tem o seu cheiro, o seu beijo, seu abraço de bom dia. Hoje meu telefone não toca para ouvir você dizer que me ama. Hoje não tem você pra me chamar de linda e pra dizer como fico sensual de salto alto. Hoje não tem você pra encher meu saco com suas explicações filosóficas e inteligentes, pra sentir ciúmes, pra perguntar como estou ou como foi meu dia.

Minha vida não está vazia sem você, mas também não está completa. Falta uma peça do quebra-cabeças que você roubou de mim. Quando irá  devolver?

sábado, 6 de novembro de 2010

Pai

Ele podia ser ranzinzo, retrógrado e careta. Mas hoje acordo e não sinto o cheiro do café. Não tem mais aimpim na panela e nem o rádio ligado na frequência AM. Não tem mais ninguém pra me dar bom dia quase resmungando. Me fazer perguntas que odeio responder. Não ouço mais o barulho do sugar do café quente, do arrastar da sandália, da bicicleta. Ninguém mais assovia quando chega. Nem me pede favores chatos, como comprar cerveja no domingo com várias moedas ou acessar o email do Yahoo!. Não acordo mais com a música favorita dele. Não mando mais fazer silêncio porque ele está dormindo. Nem venho correndo pra casa quando é tarde para ele não me dar bronca. Ninguém muda o canal da TV quando estou assistindo e nem pede para que eu saia do computador. Ninguém assiste mais ao meio-dia programa sensacionalista. Não fico chateada quando ele faz besteira. Não recebo mais os recados que ele me dava. Não vejo meu cachorro alegre quando ele chega, porque ele não chega mais. Já faz tempo que se foi e não mais voltou. Nem pra dizer como estão as coisas. Não sei quando ele sente dor e nem se o remédio acabou. Na geladeira não tem mais coca-cola e vinho. Ele não compra mais o pão. Não tem mais doce de leite ou goiabada na geladeira. O pó do café continua no armário e ninguém usa. Não existe mais suco sem açúcar feito por ele. Também não tem aquele cheiro de gordura na cozinha e ninguém mais suja o fogão de óleo. Ninguém guarda mais os pratos no armário como ele fazia. Ninguém me fala pra ler a notícia do jornal. E nem ele lê mais as minhas notícias. Ninguém sai pra jogar bola dia de sexta. Ninguém reclama e diz "que eu sou a única que tem aula até a noite". Ninguém ronca mais no sofá. Não o ignoro mais na rua porque não o vejo, nem de relance, nem mesmo ouço falar. Quando as pessoas me perguntam, não sei dizer onde ele está. Não sei! Ele se foi e não disse adeus. Deixou saudade e dor.
Related Posts with Thumbnails