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quarta-feira, 13 de março de 2013

Heroica Cachoeira

Aos verdadeiros heróicos

Cachoeira, minha cidade-mãe, localizada na região do Recôncavo da Bahia. A região fez parte
do ciclo econômico da cana-de-açúcar e fumo do país, durante os séculoS XVIII e XIX.
Foto: Rita Barreto/SeturBA

Aos 13 de março de 1837, a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira é elevada à categoria de cidade e recebe a denominação de ‘Heroica Cidade da Cachoeira’. O crescimento das exportações, a circulação de pessoas e o desenvolvimento da cidade, baseado principalmente na sua economia, provocaram uma inquietação na comunidade, que almejava este título.

Hoje são comemorados 176 anos de emancipação, um marco político para a cidade. Mas Cachoeira vai muito mais além do que estes mais de 100 anos. Para o povo que aqui habitou e ajudou no progresso da cidade, são mais de 300 anos de resistência.

Cachoeira foi construída pelas nossas irmãs e irmãos que labutaram na construção desses imponentes sobrados e casarios coloniais, que enriqueceram senhores nos engenhos de açúcar, que abasteceram a cidade no ir e vir dos saveiros na Baía de Todos os Santos, que labutaram na pesca no rio Paraguaçu (que hoje não está mais para peixe, né?), nas fábricas de charutos, nas casas das sinhás, na feira livre, no dia-a-dia.

Irmãs e irmãos que fizeram Cachoeira ser quem é, que vai além da arquitetura, mas que é de uma gama cultural e histórica que resiste até os dias de hoje. Que luta por seu espaço, reconhecimento e valorização. Irmãs e irmãos que carregam pedras, cimento, lavam roupa, cuidam do menino, mas que no final do dia ou da semana esquecem a agonia e caem no samba de roda, na pelada do bairro, no batuque de mesa, na maniçoba ou feijoada no fundo do quintal.

Cachoeira é a resistência dos terreiros de candomblé, é o molejo do samba de roda, o balanço do reggae, a festa de largo, a riqueza das irmãs da Boa Morte, a criatividade e sátira da Festa d’Ajuda, o saboroso São João, o ir e vir da Ponte Dom Pedro II, o barulho do trem, a roda de capoeira, as baianas do samba e do acarajé. Cachoeira guarda em si uma energia inexplicável, que atrai e encanta gente de todo o mundo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Página virada


Quando você escreve em um caderno e completa todas as linhas daquela folha, é hora de virar a página. Aí você continua a escrever sobre o tema ou começa outro. Quando você vai escrevendo na mesma folha às vezes bate uma preguiça e a letra fica até fica um pouco feia, mas ao virar a página e ver tudo aquilo em branco você diz “agora vou fazer mais bonitinho, deixar mais organizado”.

Assim é a vida: chega um momento em que você precisa virar a página e deseja fazer melhor. Hoje decidi fazer isso comigo. Completar a minha página, dar um ponto final e começar outro texto.

A vida é feita de histórias que a gente escreve. Histórias felizes, tristes, encantadoras, curiosas... Mas histórias sem fim. Por mais que a gente coloque um ponto final, a vida sempre continua. Mas todo dia é um novo recomeço. Um recomeço dos capítulos da vida, que trazem uma emoção diferente a cada enredo.

Hoje decidi começar outro capítulo. Dar adeus a todos os outros personagens e criar um novo enredo com tudo o que aprendi e vivi. Porque nessa vida a gente sempre carrega um pouco de cada história.

O enredo de agora é: ser feliz e plantar bons frutos, porque a época de colheita está chegando. Vou escrever na minha página em branco a melhor história que puder. Que seja bom pra mim e para os personagens que vão compor o novo enredo. Com papel e caneta vou escrever o meu mundo. Com o lápis de cor vou colorir a minha vida. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Diário de um Paraguaçu


Saveiro no rio Paraguaçu. Foto: Lorena Morais


Nasci lá das bandas da Chapada Diamantina, num lugar chamado Serra do Cocal. Fiz todo um percurso de curvas, idas e vindas, grandes encontros até chegar ao Recôncavo, um território de boas energias e que me acolhe muito bem. Na verdade me encantei por um vale. Vale que leva meu nome e que abriga as duas cidades mais expressivas e que me fizeram famoso até fora do Brasil! 

Meu nome é de origem indígena e retrata bem o que sou: “mar grande” de água doce. Sou o Paraguaçu, o rio que corta a heróica Cachoeira na margem direita e sua vizinha irmã São Félix, à margem esquerda.

O caminho é longo até chegar ao mar. Passo por diversas comunidades ribeirinhas que fazem de mim seu alimento e ganha pão: Nagé, Coqueiros, Maragojipe, Santiago do Iguape e tem também São Francisco do Paraguaçu. Por esses lados de tudo dou: caranguejo, peixe e marisco... De vez em quando até camarão, que tem que ser na época certa, pra não acabar com a família. O pescador sai cedinho no balanço da maré e marisqueira sabe bem a hora de meter a mão no mangue e tirar a ostra. 
Marisqueira. Foto: Marília Marques

Na minha margem tem engenhos, igrejas, fortes e casarios da época colonial, que retrata a história de um Brasil de outrora colonizado por Portugal. 

Tenho a proteção de duas mães, a Iara e Iemanjá, porque minhas águas se misturam num emaranhado doce e salgado da vida.

Meu braços são longos, vários afluentes por aí navegam para dar água a quem lava roupa ou pra carregar na cabeça o balde quando água falta.

Mas também já causei algumas tristezas. Por duas vezes São Pedro esqueceu a torneira do banheiro aberta e a água caiu toda aqui embaixo. Não consegui dar conta e foi água pra tudo quanto é lado. Dona Maria perdeu os móveis, entrou água na venda de seu Evandro e Banzé ficou sem ir a escola. Carmelita teve que ir correndo pra roça levar seu colchão na canoa. Mas Chico adorou ver aquela água toda e chamou a garotada pra subir no barquinho do seu pai, seu João, e ver o arco-íris.

Depois que construíram uma tal de barragem Pedra do Cavalo tudo mudou... e eu aprendi direitinho a cuidar do volume da minha água.

Quase me esqueço de contar que toda vez que olho pra cima me encanto tanto com a beleza das duas cidades que reflito em meu leito. Um moço, que também gostava muito das irmãs, decidiu unir as cidades construindo um linda ponte que levou o nome dele: Dom Pedro II. Cara importante esse aí, um rei que já navegou em minhas águas.
Ponte D. Pedro II sob o rio. Foto: Lorena Morais

Esse rio que vos fala já suportou grandes e importantes embarcações, pra levar carga de charutos lá para a bandas do Pacífico. Pra trazer e levar gente pra Baía - como era chamada Salvador. Para trazer alimentos, roupas, acessórios e abastecer os mercadinhos. O vaporzinho por muito tempo já navegou, e admirou a paisagem que sempre preparei para recebê-lo. Os pássaros cantavam, as ondas batiam nas pedras, a criança corria a seu encontro... 

Já sorri muito por tudo o que vivi, mas hoje choro porque não sou mais o Paraguaçu daquele tempo. Acho que esqueceram de dizer que rio não é lixeira, ou se dizem, as pessoas não se importam e continuam a me sujar com esgoto, latinhas de alumínio, garrafa pet, pneu velho, sapato furado... Estão desmatando a mata ciliar, tem peixe mudando de rio, tem gente acabando com o leito de meus riachos...  Às vezes meu odor é insuportável, mas não porque não me cuido, mas quem tem que cuidar de mim é você! 

Tem muita terra, ficou tudo raso, embarcações grandes não navegam mais por aqui... O vaporzinho esqueceu o caminho, “não navega mais no mar”, não navega mais no rio... 


• Esse texto foi publicado no jornal laboratório da UFRB Reverso Ecologia & Meio Ambiente nº 45

sábado, 11 de dezembro de 2010

O encanto do Jornalismo no Recôncavo



Como diz meu perfil aí ao lado, sou estudante de jornalismo, portanto estou sempre em contato com o público, palavras e fotografias. Esse semestre, tive uma disciplina chamada Jornalismo Impresso I, que produzidos nosso jornal laboratório Reverso. Para mim, foi uma experiência fantástica, ver as notícias de Cachoeira e Recôncavo sendo veiculadas, sendo que foram produzidas por nós. Ao ler as matérias, pude descobrir as características de cada um de nós, suas preferências, a escrita, enfim...

Na verdade esse post é referente a esse trabalho de escrever, retratar o que se passa em nossa comunidade e principalmente o retorno que temos com o público que entrevistamos e que nos lê. As pessoas ficam curiosas para ser o que foi publicado na mais recente edição, cobram o jornal, quando atrasa, uns perguntam se paga, nos gritam pela rua pedindo a edição, fazem as críticas construtivas, sugerem pautas, nos elogiam e se envolvem no processo de construção.

Igreja de Santa Bárbara, em São Félix. Foto: Marília Marques
No mês de setembro, fiz uma visita junto com mais duas colegas, Josiane e Marília, a uma rua chamada Ladeira do Milagre, na cidade de São Félix. Lá fomos em busca de informações de uma fonte que muitos afirmam que é de água sagrada, a fonte de Santa Bárbara. A pesquisa e entrevistas foram interessantes. Fiquei fascinada pela narrativa oral, que possibilita várias versões de uma só história e junto com a repórter Josiane, construí uma matéria sobre a fonte - Águas que curam.

Nesse universo conheci Dona Lucinha, que é responsável pelos cuidados da pequena igreja de Santa Bárbara. No início ela foi resistente, não quis nos contar nada sobre a história da fonte, mas um pouco mais de conversa ela acabou nos dando a chave da igreja para conhecermos o seu interior. Depois de colhermos todas as informações necessárias, fomos para casa e continuamos a produzir e produzir.

Depois dos dois meses após o dia que fomos lá, resolvi que deveríamos retornar ao local para mostrar o resultado da matéria. Então, junto com Marília, retornamos àquela ladeira, debaixo do sol do Recôncavo, com os jornais em mãos e à procura de Dona Lucinha, que estava sentada em frente a igreja costurando.

De início ela não lembrou da gente, mas quando falamos sobre a matéria ela recordou-se e ficou feliz quando demos o jornal. Achei graça quando ela nos perguntou se tínhamos almoçado (ainda bem que não! risos) e quando dei por conta estávamos em sua mesa comendo uma moqueca de peixe maravilhosa.

Tiramos fotos, contamos sobre nossas aventuras no jornalismo e rimos muito com seu jeito irreverente e acolhedor. Pra mim foi muito gratificante retornar àquele local e ter esse reconhecimento em virtude do meu trabalho. Dona Lucinha é uma pessoa magnífica, de uma alegria contagiante e fé. Que abriu sua casa e depositou total confiança na gente. Nesse dia, me senti realizada por estar envolvida com o jornalismo, principalmente pelo papel que estamos realizando no Recôncavo, de mostrar o que nossa gente produz e tem pra contar. Para mim é mais gratificante ainda por ter me criado nessa região, que muitas vezes ficou esquecida e que hoje salta rumo ao infinito!

Dona Lucinha é um exemplo de simplicidade, carisma e dedicação.

domingo, 14 de novembro de 2010

O negro, o pobre e o olhar enviesado

“Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais” (Milton Santos)
Castigo na escridão. Imagem do Google

Está acontecendo em minha cidade uma festa de caráter popular. Realizada na segunda quinzena de novembro, a festa celebra a padroeira dos senhores de engenho, Nossa Senhora da Ajuda. Na verdade ela é mais profana do que religiosa e trás um histórico marcado por tradições populares, criadas principalmente por negros. [Ver história em: Origem da festa D’Ajuda possui marcas históricas do século XIX]

Os festejos são acompanhados por ‘embalos’, fanfarras com instrumentos de sopro e percussão que percorre ruas da cidade cantando marchinhas e cantigas populares ou satíricas.

A população da cidade participa ativamente. O negro e o pobre estão lá. Possa ser que até o ladrão, mas ele pede folga para se divertir. Contudo, mais uma vez vemos aquela cena que passa nos programas sensacionalistas da televisão depois do carnaval: o negro e o pobre apanhando que nem escravo no tronco. Mudam-se os tempos, mas o os personagens são os mesmos. O policial continua sendo o feitor e o cidadão comum marginalizado o escravo da sociedade de consumo.

Durante toda a euforia popular do bloco de rua puxado pela fanfarra, uma mulher é abordada pela polícia. Esteriótipo: negra, mal-vestida, pobre e com uma bolsa a tira-colo. Ela foi revistada por – das duas, uma - ou suspeita de roubo ou por tráfico de drogas. Enfim, ficou assustada e disse que não tinha nada demais na sacola. Muitas pessoas passavam, olhavam curiosamente e eu podia supor que ali dentro não tinha nada além do que ‘quinquilharias’. Por que supor? Sempra a vejo na minha rua indo pedir comida na casa da vizinha ou pelas esquinas catando papelão. Resultado: os policias não encontraram nada e a dispensaram. O que sobrou? Constrangimento.

No texto Ser Negro no Brasil (2000), Milton Santos escreve  que “ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. (...) É frequentemente ser objeto de um olhar vesgo e ambíguo”. O negro na sociedade passa despercebido. O governo cria programas para inserção social, mas é sempre o negro que está atrás da cela por ter roubado um pacote de leite no mercado, que apanha na festa de rua, pede esmola, mora embaixo do viaduto ou chora por um pedaço de pão.

Na semana da Consciência Negra, vejo uma mulher negra sofrendo uma repressão policial por uma suspeita qualquer. Mas, suspeita maior pela cor da sua pele. As diferenças sociais e econômicas estruturais seculares que Milton Santos escreve no texto continuam e todos os dias me questiono que tipo de pessoas estamos criando para nosso país e até quando o negro vais ser visto com esse olhar enviesado.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A diferença nos detalhes

  Pré-requisitos para a conquista de uma mulher

Imagem do site Brasil Escola
 
  Conquistar uma mulher não é tarefa difícil. Requer, na verdade, um ponto de destaque. Ninguém gosta de tudo muito igual. Por isso, exponha seu diferencial.
  Essa crônica vai para você, homem, que deseja conquistar uma mulher, mais não sabe por onde começar ou onde não pode pecar. Não garanto a conquista da mulher desejada, mas que vai ajudar a valorizar o sexo feminino, ah!, isso vai.
  Primeiro não vá achando que vai conseguir conquistar uma mulher em apenas um dia. Tudo começa através do olhar. Faça com que você seja notado por ela. Mas, por favor, não solte piadinhas, nem frases prontas – mulheres odeiam cantadas clichês. Vale até inventar uma cantada, mas seja criativo! Homens que divertem ganham pontos positivos. Só não exagere! Dê um sorriso, passe por lugares que ela frequenta, finja até que não a está percebendo.
O segundo passo é aproximação. Certa vez um amigo falou – quando conversávamos sobre relacionamento – que a aparência pode expressar em parte o que a pessoa é. Ao olhar as vestimentas e características de uma mulher, você pode supor seu gosto musical, que assunto se interessa ou lugares que frequenta. Arranje sempre uma desculpa para chegar nela. Seja original e criativo. Se conseguir um sorrisinho, comemore! Caminhou positivamente.
  O terceiro ponto é o número de telefone. Não dê possibilidades para ela pensar se vai te dar o número ou não. Nunca pergunte se ela pode te dar, mas qual o número. Se possível dê um toque na hora para confirmar. Mulheres gostam de inventar números de telefone para escapar dos homens (Oh!, desculpe meninas, contei!). Se estiver correto, comemore mais uma vez. Ela se interessou.
  Nunca, jamais, ofereça seu número de telefone para a mulher que tem interesse – a não ser que ela peça. Isso demonstra que você é “mão fechada”. Mulheres odeiam homens “casquinhas”. Pegue o número e ligue, mesmo que o celular dela seja de outra operadora de telefonia ou DDD e você tenha que gastar um pouco mais. Damos o maior ponto para homens que ligam independentemente da operadora. Nós chamamos isso de “prova de amor”.
  O quarto passo é o que mais conta: o diálogo. Elogie uma mulher de maneira doce. Fale da beleza do seu sorriso, olhos e cabelo. Mas nunca partes do corpo como pernas, peitos ou bumbum. Esses elogios são para um estado mais avançado. Se utilizá-los agora pode perder pontos ou até mesmo a conquista.
Procure saber o que ela gosta de ouvir, ler, o que faz. Conte também um pouco sobre você. Quando escrevo isso não quer dizer contar o que aprontou na sua adolescência – só se ela perguntar. Fale do presente, pois estão vivendo esse momento agora.
  Seja humilde. Nunca fique se vangloriando dizendo que fez isto ou aquilo. Você pode muito bem contar seus feitos sem tanta soberba. Seja inteligente. Não quero aqui dizer que você deva incluir no papo as descobertas das pesquisas de célula-tronco, mas que esteja “antenado” em assuntos essenciais. Eu, particularmente, gosto que o homem ensine algo que desconheço ou pouco sei. Nunca elogie ou demonstre olhar insinuante a outra mulher quando estiver ao lado de sua paquera. Mulheres gostam de acreditar que entre tantas, ela foi a escolhida. Acredita que um carinha fez isso comigo? Fiquei tão pirada com a atitude dele que me calei. A situação ainda era pior porque ele elogiou uma garota que eu não suportava! Dispensei-o no dia seguinte.
  Saiba ouvir. Não seja egocêntrico ao dialogar com uma mulher. Fale, mas também ouça. Afinal, essa é umas das táticas da conquista: conhecer o terreno. Já dispensei um homem lindo porque ele falava demais. O cara me contou a vida dele todinha! Agora pergunte se sabia que estilo musical eu gostava? Não é legal revelar ou querer saber tudo sobre você e a outra pessoa. O não saber, o mistério, é a alma da conquista.
  Se você conseguir seguir esses critérios básicos da conquista, ganhará muitos pontos. Mulher não é bicho de sete cabeças. Pode até ser, mas nos apegamos aos detalhes que vocês, homens, passam despercebidos. Mulher gosta de se sentir ÚNICA!  E tenha certeza, “detalhes fazem toda a diferença”.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vítima do sistema

A droga diz que nós devemos sair desse sistema em que somos manipulados pela sociedade de consumo. Sistema burocrático que pensa que sabe tratar o indivíduo como tal.
A droga diz que não devemos seguir as leis do sistema capitalista, em que o governo tira da população – através dos impostos - a sua ostentação.
A droga é outro sistema, baseado nos princípios do capitalismo. Você é a massa (contingente populacional), paga impostos embutido nos “produtos”. O governo é o traficante que enriquece as suas custas, te fazendo dar o que tens e o que não tens. Pouco a pouco vais ficando dependente do sistema que lhe custa muito mais caro ainda. Custa-lhe a vida.
O tráfico de drogas é um sistema completamente egoísta porque o toma para si, não te dá oportunidade de inserção à sociedade, te afasta mais e mais do capitalismo lá fora. As fórmulas químicas instigam o individuo a querer mais e mais. A sempre buscar a satisfação, o prazer que a droga proporciona. Você fica escravo do poder. Vítima do sistema. Não é mais você que necessita usá-la, é seu organismo que pede e implora. Suas mãos tremem, as veias se alteram, seu corpo sua frio e pede: ‘sacia minha vontade, sacia minha vontade’.


Imagem retirada do blog Like a fly on a wall

Vítima do sistema! A sociedade te culpa e diz que seu lugar é sim margem da sociedade, não quer carregar uma culpa que afirma não ser dela. Não quer reconhecer que o indivíduo pertence à sociedade e que quando a constituição estabelece que a “saúde é um dever de todos e dever do estado” fica claro que o tratamento deve existir de forma gratuita e igualitária, pois o que muitos não sabem é que essa é uma doença que não tem cura, mas tratamento.
A salvação é não entrar nesse sistema nunca, nem por curiosidade, nem para quebrar as regras. Quer ficar escravo do poder?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Onde está Wally?"

A BUSCA POR SI MESMO



Quem é que nunca acompanhou esse clássico joguinho de origem britânica? Wally é um viajante que sempre se veste com uma camisa listrada em vermelho e branco, com um gorro nas mesmas cores, usa óculos e também possui uma bengala. Ele surgiu nos livros, já foi para as telinhas da TV e agora projeta ir para as telonas do cinema. O desafio é sempre encontrar Wally e seus pertences em meio a uma multidão e entre tantos outros objetos e lugares, fazendo-nos exercitar a capacidade de percepção, diante da tamanha ilusão de ótica criada pelo autor.

Pense em quantas vezes queremos nos tornar wallys da vida? Viajar, nos esconder dos problemas, sofrimentos, da realidade, responsabilidades, do outro, das resoluções e principalmente de nós mesmos. Mas no fundo sabemos que a ‘fuga’ nunca é a resolução para todas as nossas angústias, pelo contrário, agrava ainda mais a situação.

Partindo para o eixo da sociedade em que vivemos, o individualismo tem sido um dos sistemas mais evidentes em relação à fuga da realidade Como? Pois bem, aí está você querido leitor, conectado a este blog através de uma rede virtual. Você e este computador, notebook, ou celular. É uma atividade extremamente solitária que, se não houver um certo cuidado, aos poucos pode te afastar do convívio social. Os avanços tecnológicos têm sido um dos principais fatores responsáveis à prática do individualismo. As pessoas se fecham em si mesmas e o sistema capitalista nos leva a entender que a supervalorização do individuo nos faz viver sós. “A própria ciência mostra que é impossível ao ser humano viver isolado de outro ser humano. Somos humanos porque aprendemos, na convivência com outro humano, a ser humanos.”¹

O desafio maior está no reconhecimento do ser humano como indivíduo que sabe e deve conviver em sociedade. Não ser mais um Wally que vive se escondendo dos outros, mas compartilhar dos valores que aprende durante a sua formação como cidadão. Descobrir-se através dos desafios impostos pela vida.

Quando você se encontra as coisas realmente começam a funcionar. Todos os problemas têm soluções. Fugir não é a melhor delas. Já dizia o místico indiano Osho: “Você se esconde e aguarda ser descoberto por si mesmo”. Pratique o exercício de se encontrar todos os dias. O próprio ato da busca faz com que algo cresça dentro de você.

Por Lorena Morais



Para relembrar o famoso joguinho, clique na imagem e procure nosso viajante:





¹ ARRUDA, Abílio Tadeu. Individualismo. Disponível em: http://www.artigonal.com/evangelho-artigos/individualismo-1083103.html


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Escolhendo escolher

"Você faz suas escolhas e as escolhas fazem você"
(Shakespeare)

Eu escolhi não casar, fazer jornalismo, ter um sofá-cama vermelho, cabelos cacheados e chinelo de dedo. Escolhi escrever à lápis, desligar o celular ao dormir e ler livros de romance. Escolhi arroz à grega, feijão preto e suco de laranja pela manhã. Escolhi comprar uma bicicleta de cestinha, bolsa retornável e caderno de folhas recicláveis. Escolhi tomar chá de erva-doce ao entardecer. Escolhi dormir até tarde aos domingos. Escolhi, enfim, escolher.

Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas, certo? Vem da mesma ideia de que somos responsáveis pelos nossos atos. É fato. Mas por que você insiste em opinar nas minhas escolhas, hein? Por que te incomoda tanto que eu tenha escolhido morar no quinto andar de um prédio sem elevador se sou eu que desço as escadas? Você nem me visita e isso te incomoda tanto? É incrivel essa mania que as pessoas têm de fazer escolhas por nós. Isso começa com os pais: que preferem que os filhos sigam tal carreira ou que namorem o filho de fulano de tal que é mais certinho. Pura satisfação pessoal. Filhos que preferem suprir os sonhos não concluídos dos pais são profissionais frustrados ou vivem um casamento infeliz.

Decisões são difíceis, no entanto uma vez tomadas permanecem por toda nossa vida, por bons resultados ou cicatrizes. E principalmente por experiências, baseadas nos erros que vemos ou vivenciamos. Essas mancadas vem das escolhas erradas que fazemos. É inevitável, porém ao mesmo tempo é incrível o quanto amadurecemos e nos formamos a partir de nossas escolhas.

O pronome no plural já expõe a ideia possessiva: nossas. Ou seja, nossas escolhas formam nossa personalidade, o nosso quem sou eu.


Lorena Morais
  • Querido leitor, boas escolhas para a construção de você mesmo!


domingo, 27 de setembro de 2009

Coração na mala

"Sair de casa já é se aventurar"

(Rodrigo Amarante)




Partir é deixar tudo para trás. Tudo mesmo. A rotina diária, as pessoas, os costumes, as paisagens, os caminhos percorridos. Partir é buscar um recomeço. Recomeçar uma vida, novas amizades, novas rotinas e detalhes. É ter que se acostumar. Partir é mudar. Mudar de rumo, buscar novos horizontes. Partir é se libertar. Caminhar com os próprios pés, saber o que se quer, aonde ir, o que fazer. Partir é necessário. Para ascensão, trocar experiências. Partir é simplesmente partir. Cortar laços, romper, pôr-se a caminho, seguir viagem.

Vou partir. Para longe. Longe, bem longe. Longe para onde o vento for, o caminho me levar, o leito me permitir navegar. Longe para dizer adeus, que não volto mais, que foi bom e sentirei sua falta. Longe para te ligar, dizer que estou bem, que o novo é lindo e surpreendente. Longe para falar que tudo dói de saudades. Longe para lembrar-me de nós – que nem o tempo e a distância apaga.

Hoje estou partindo. Vida afora, mundo à frente e coração na mala. Partindo e levando teu sorriso que insiste em dizer que estou fazendo a coisa certa. Partir para além mar, buscar meu porto e construir meus barcos. Partir sem saber, mas ainda assim saber que se arriscar é um risco. E todo risco é um arrisco que nos fortalece.


Lorena Morais

domingo, 5 de julho de 2009

Ser interior



Morar no interior é ter como despertador o canto dos pássaros que repousam na janela; é fechar os olhos diante da luminosidade do sol e aquecer-se com o calor do mesmo. É pular o caminho das formigas; sentar-se no jardim de flores cor violeta; ficar chateado por uma amêndoa ter caído em sua cabeça e ainda assim rir porque isso sempre acontece contigo. É repousar na beira do rio e sentir sua brisa quando está fazendo calor – ou até mesmo quando não está -, refrescar-se a sombra de uma árvore, ler o jornal do dia, um livro de Drummond, Jorge Amado ou literatura de cordel. Sentar-se na porta com os amigos até tarde, esquecer as janelas abertas, dar bom dia ao vizinho, fofocar da vida alheia, ir comprar pão a pé e limão na feira.

Morar no interior é conhecer tanta gente, é não gostar de fulano de tal e apaixonar-se pelo filho de seu Joaquim. É namorar na porta dos outros ou escondido - tanto faz -, ouvir o barulho do trem, pegar uma carona, ter medo de atravessar a ponte e correr para não perder a hora, é tomar banho de rio ou ir pescar siri. É comer o pastel de dona Maria e comprar os doces da venda de seu Zé. É pular corda na porta da Bia, brincar de esconde-esconde, sete pedrinhas ou pique-alto. Aos domingos, ouvir estórias de Chico Faria, ter medo do doido da vassoura, tocar campainha e sair correndo, comer pipoca na esquina da escola e contemplar as estrelas no alto do morro da Capadócia ou até mesmo do quintal da avó do Beto – que tem pés de manga, laranja e acerola. É esperar o tradicional São João para enfeitar a rua de bandeirolas coloridas, asender fogueira e assar milho na porta de casa tomando um licorzinho.


Morar no interior é ter uma vida cansada, pacata, entendiante... Ver a poeira fazer redemoinhos no ar e ainda assim ser feliz com toda essa simplicidade rotineira que faz de nós amantes do tempo e apreciadores da vida - na sua máxima essência.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sobre a coragem...

"Arranque a coragem

do medo,

erga-a gargalhando ares

de segredo."

(Casulo Rasgado, João de Moraes Filho)


Há vários significados para a palavra coragem, mas nesse contexto ela define-se como firmeza de ânimo ante os sofrimentos. E a gente sofre! Sofre por amor, pela ausência, pela morte, por uma doença, uma decepção. E diante desses sofrimentos vamos aprendendo a sermos fortes e CORAJOSOS.

Ser corajoso não é necessariamente bater nos mais oprimidos. Pelo contrário. É aguentar as ‘porradas’ que a vida nos dá de cabeça erguida. Não é fácil, eu sei. Existem momentos que pensamos em desistir e deixar que a fraqueza e as lágrimas tomem conta de nós.

Ter coragem é dizer o que você pensa - sem intenções de humilhar -, é fazer aquilo que acredita ser capaz – e que muitas vezes os outros duvidam -, é arriscar, decidir, ousar, desafiar! Pra ser sincero, todos nós temos os nossos medos, mas aqueles que sabem controlá-los são os que tem coragem de enfrentá-los. E se você é confiante ninguém pode arrancá-la de ti.

Certa vez Fernanda Mello escreveu que “coragem vem da mesma COR que forma coração. A COR da coragem. A COR do coração”. Assim é, porque os romanos consideravam que a coragem tem mais a ver com o coração do que com a razão. Sendo assim, que tenhamos sempre essa cor dentro da gente!

Coragem não é saber enfrentar o seu próximo, mas a si mesmo. Encare sua realidade, desafie-se... Ninguém além de você é capaz de saber que medos o impedem de driblar as barreiras e como combatê-las. As respostas estão diante dos desafios que nós enfrentamos. Difícil?




segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ciclo

Passamos nossas vidas esperando pessoas que nos completem, jogando o direito de sermos felizes na mão dos outros e fugindo da nossa culpa. Da culpa de que algo pode dar errado.
Culpar-se é tão indispensável quanto perdoar-se. Com o tempo você vai adquirindo maturidade necessária para superar grandes obstáculos na vida. E vencer.
O mundo capitalista propiciou numa sociedade individualista, que vem perdendo os seus valores. Se mal soubermos nos perdoar, como perdoaremos ao próximo?

Foto: Fernanda Mello




Temos sim que viver, fazer, errar, culpar-se e perdoar-se. Esse é o meu ciclo. Vivo intensamente e não tenho medo de quebrar a cara. Não consigo ser mais ou menos. Meu verbo é sentir. Não adianta evitar, as coisas acontecem quando elas têm que acontecer. Eu acredito.

Lorena Morais

terça-feira, 3 de março de 2009

Somos um ímã

Todos nós temos um poder a ser explorado. O poder que vem da nossa mente. É de lá que as coisas em nossa vida podem dar certo - ou errado -, basta acreditarmos.
Já ouviu falar em pensamento positivo? Pois é, acredite nele. Se você tem em mente que alguma coisa que anseia pode acontecer, acontecerá. Mas você tem que fazer por merecer é claro, e não ficar esperando simplesmente ‘cair do céu’. Falo isso por experiência própria. O meu poder de pensamento foi tão forte e trabalhado que um fato que considerei quase que impossível, simplesmente aconteceu! (Incrível, não?) Depois disso comecei a acreditar mais na lei da atração que me rege e principalmente no meu poder. Não há obstáculos se nós acreditarmos.
Muitos estudiosos tentam explicar às pessoas como alcançar sucesso na carreira e nos planos com mil e uma dicas, sendo que na verdade o segredo está em nós – na nossa mente. E não me pergunte como e nem o porquê, acho que ninguém até hoje conseguiu desvendar os mistérios da mente humana que trabalham junto às leis do universo – e não podem ser modificadas e nem quebradas. Você atrai pessoas, situações, trabalho, conquistas tudo com a força do pensamento, com o ímã que existe no seu interior. A partir do momento que acreditas que isso existe, começas a usá-lo deliberadamente em suas metas de vida.
Mantenha o foco naquilo que acreditas, derrame toda a energia que há em ti e acima de tudo, tenha atitude. Acredite que você é capaz, nunca duvide das possibilidades, tudo é possível!

“Somos em grande parte aquilo que pensamos ser. A pessoa que acredita piamente em si mesma e mantém uma atitude mental forte de confiança e determinação não será afetada por pensamentos adversos e negativos de desânimo e fracasso que emanam das mentes de outras pessoas nas quais essas características predominam”.

(William Walker Atkinson)


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

‘ Voltar atrás é melhor que perder-se no caminho.’

Toda pessoa tem o direito de voltar atrás. Seja pra pedir perdão, reconhecer um erro, procurar saber como as coisas realmente aconteceram e tudo mais que necessite de uma reparação. Voltar atrás não é sinônimo de fraqueza - nunca foi -, mas sim um ato de coragem.
Quando li essa frase no caderno de uma amiga, fiquei maravilhada com sua intensidade e como ela se encaixou perfeitamente com uma coisa que me aconteceu. Por não voltar atrás eu simplesmente não me encontrava. Até que um dia minhas amigas acionaram o sininho da atitude e eu acordei. E melhor, me encontrei! Mesmo que eu não tenha recebido um sim bem grandão ou um abraço dizendo que está tudo bem.
É difícil voltar atrás – é imprevisível o que pode acontecer quando tomamos essa atitude –, porém muitas vezes é necessário. Pra colocar um ponto final, recomeçar da primeira folha em branco ou para sentir-se basicamente livre.
Volte atrás quando perceber que valerá a pena, mesmo que não aconteça aquilo que você anseia. Volte atrás quando quiser dar aquele abraço que negou quando estava zangada(o), mesmo que a recíproca não seja tão intensa. Volte atrás pra pedir perdão a sua mãe pela birra, mesmo que ela tenha cortado a Internet por uma semana (aff!). Volte atrás pra dizer a sua amiga o quanto você a ama, que aquela cena foi um ciuminho básico e que nunca mais fará isso, mesmo que você tenha que dividi-la por alguns instantes com aquela amiga dela chata. Volte atrás e peça perdão ao seu namorado por não tê-lo deixado ir ao baba no sábado a tarde e deixo-o ir na próxima semana, mesmo que para isso você tenha que ficar sozinha na arquibancada torcendo pelo time dele – com certeza seu gatinho ficará feliz dessa vez e vai àquele programa que vocês combinaram. Volte atrás para não se perder no caminho, mesmo que tenha que recomeçar – lembre-se como tudo vai ser diferente.
Acima de tudo,
volte atrás não para humilhar-se, mas para reconhecer que errou e demonstrar a sua coragem diante dos obstáculos. Mesmo que para isso doa.



”Se o tempo voltasse para trás nada saberíamos.
Iríamos de olhos fechados e coração aberto.
Mas quando voltamos atrás é diferente:
podemos ir de coração aberto,
mas de certo não fecharemos os olhos.”

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

“Olhai as crianças do nosso Brasil!” *



Certa feita estava eu conversando com um professor – que será pai - sobre como está a educação às crianças atualmente. Ele relatou um caso de uma menininha de apenas três anos que disse a uma coleguinha de creche, que a zoava: “Pare de me abusar, senão vou lhe dar uma facada!”.
(Pausa para silêncio – e espanto).
Então veio a pergunta da professora - que presenciou o fato:
- Onde você ouviu isso Anabel **?
Ah tia, meu pai disse a minha mamãe.
(...)
Pulei mais um parágrafo para simbolizar tal espanto, que é muito mais impactante que o anterior. Analisando os dizeres da pequena criança, um ser inocente, mal sabendo o significado da frase dita – mas que apenas repetiu o que ouviu em seu lar – pode-se supor que a garotinha tenha presenciado muito mais do que um simples “Vou lhe dar uma facada!”. Ela pode ter presenciado agressões e ameaças. E achar isso comum.
Considero ser a criança o espelho dos pais. Elas refletem o que é emitido; o modo de falar, os gestos, manias, palavrões, o caminhar, as atitudes. E é preciso extremo cuidado do que nós emitimos, pois a criança de hoje será o adulto de amanhã. Evidente que se emitimos coisas ruins em demasia, possa ser que venha a se formar um adulto mal-caráter. Como por exemplo, um garoto que apanha muito dos pais por qualquer motivo desnecessário poderá tornar-se futuramente uma pessoa de comportamento agressivo.
É necessária muita disposição e jogo de cintura para educar um ‘bambino’. Temos de ensinar bons modos, o que se pode ou não fazer, como se cuidar, como tratar alguém... “N” ensinamentos. E por mais que a gente tenha total dedicação e empenho, não devemos esquecer do mundo lá fora. Que é cruel, covarde e medonho. Ele pode influenciar muito no comportamento. Ainda mais quando o indivíduo está em fase de construção e conhecimento.
Esse fato verídico acontece em tantos outros cantos longe de nós. E de diversas formas. Vemos constantemente suas conseqüências nos jornais e na televisão, com o drama dos pais. Sem saber eles que na maioria das vezes são os próprios culpados pelo que os filhos se transformam.
Devemos mostrar a criança os dois lados da moeda, os dois caminhos que ela encontrará pela frente. Fazendo o possível – e também o impossível – para estar ao lado, acompanhando seus passos – porém sem sufocá-las ou prendê-las demais -, mostrando o caminho correto, para quando for jogada ao mundo poder decidir por si só que estrada prosseguir. Estando ciente das conseqüências, é claro. Mas, venhamos e convenhamos, o verdadeiro retrato que a sociedade traz da educação doméstica dada às crianças do nosso Brasil ‘baronil’ é infeliz.

Por Lorena Rodrigues


* Trecho da música de Lúcia Helena.
** O nome Anabel é fictício, para preservar a identidade da criança.

sábado, 8 de novembro de 2008

Encontre as respostas

Não sei onde vou parar com tanta prepotência. Com essa minha mania de achar sempre que estou certa e tornar-me vítima nas situações. Nem sempre. Eu erro muito, tropeço e me esbarro por entre estes erros. Tenho medo da verdade. Procuro passar por cima e finjo que não a vejo; apesar de saber que está a um palmo do meu nariz. Talvez esse cinismo, meu jeito de agir como se nada estivesse acontecendo prejudique meus anseios. Odeio gente cínica e ajo como tal. Que contradição!
'Fecho os olhos' para a solução dos meus problemas e projeto alguém que busque as respostas ou me dê na maior cara lavada. Como se as coisas fossem assim mesmo...
Meu irmão dizia que o primeiro passo a gente dá quando reconhece o nosso erro. Pensando bem não é difícil. Torna-se ainda mais fácil quando tentamos reverter fazendo as coisas certas. O difícil mesmo é convencer as pessoas. Ainda mais quando a gente tem o costume de fazer tudo errado. Mas aí as coisas acontecem gradativamente. Tudo ao seu tempo.
Nada nessa vida é impossível quando se quer. Quando se quer mudar as atitudes e o gênio, por exemplo. Difícil pode até ser, porém temos que sozinhos encontrar as respostas. Se não a gente não vai aprender NUNCA. Este é o segundo passo.



LORENA RODRIGUES
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