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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cartas

Martha Medeiros
Do livro Tudo o que eu queria te dizer

Nossa, quanta melancolia neste olhar. Você está perdendo as forças de tanto resistir a mim. E eu nem sou tão malvado assim, garota. Meu papel é apenas o de estimular sua liberdade, porque não é possível alguém ser escravo do bom comportamento o tempo todo. Pense bem: você tem mania irritante de atender a todos os telefonemas, todos. Não atenda. Deixe tocar de vez em quando, não interrompa o que estiver fazendo, mesmo que esteja deitada no sofá olhando pro teto. Não dê atenção ao chato que está chamando. E se você esquecer o aniversário da sua irmã, esqueceu, ora. Sem drama. Não caia no papo chantagista dela, todo mundo tem o direito de esquecer algumas datas, mande ela pentear macaco. E quando não estiver com vontade de dizer a verdade, minta. Quer trocar uma tarde de estudos por um banho de piscina, o que te impede? Quer sumir por uns dias? Deixe um recado “Sumirei por uns dias, tem carne congelada na geladeira” .
Agora enxugue essas lágrimas inúteis, levante este queixo e vá tratar da vida. Faça tudo o que deseja fazer. Você acha que depois de morta vai ganhar um bônus? Uma promoção pra tentar sair desse empate? Esqueça o empate. Vença. Perca. Ofereça a si mesma algum resultado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"Desejo você aqui"

Uma viagem histórica pelo rock progressivo do Pink Floyd
Por Jorge Luis*


Essa é a faixa título de um dos álbuns mais importantes do Pink Floyd, dedicada ao fundador da banda em 1965, Syd Barret. O então integrante foi afastado da banda devido aos seus problemas psíquicos decorrentes do abuso de drogas, Syd se comportava estranhamente até em entrevistas ao vivo em rede nacional, ficando explícito que o cantor e compositor não estava realmente bem. Wish you were here (Desejo você aqui, em inglês) dá um ar melancólico ao álbum que não somente lembra do companheiro de banda, mas também põe em questão a mercadologia musical e o capitalismo que até então, no ano do seu lançamento (1975), ainda era focado na indústria. Isso fica evidente no videoclipe de Welcome to the machine (Bem vindo à máquina), um dos primeiros produzidos em animação 3D. Quem escuta as canções e assiste as exibições da banda hoje (dispostas na internet), percebe pela arte e pensamento, que os músicos da banda eram pessoas à frente do seu tempo. O mercado da música realmente tornou-se banal, não propriamente pela facilidade de obtenção, mas somando-a a falta de conteúdo.

Oscar Wilde, socialista do século XIX, atacava os jornalistas ingleses pela maneira de dispor a informação e a crítica à sociedade, principalmente no que se direcionava a arte. Segundo o pensador, os jornalistas analisavam e criticavam os artistas da época com base em obras de artistas consagrados, fazendo desta forma, comparações absurdas e que comprometiam a arte que surgia naquela época, pois ainda segundo Wilde, o artista não deveria se preocupar com a opinião alheia, e sim colocar para fora todo o seu sentimento particular sobre sua realidade.

Mal sabia Wilde, que quase um século depois, na própria Inglaterra surgiria uma banda que iria marcar para sempre a história da arte. Até o ano de 2008, fãs do mundo todo esperavam um retorno da banda, mas a morte de Richard Wright devido a um câncer, em 15 de setembro (data do lançamento do Wish you were here) selou qualquer possibilidade. Antes disso em 2006 também já havia falecido o fundador Syd Barret vítima de diabetes. Fica eternizada a incontestável obra de arte nas canções que ainda embalam gerações do mundo todo, e um pensamento que cita: “Como gostaríamos que estivessem aqui”...

Apenas cinco faixas compõem o repertório do Wish you were here:

Lado A
1. "Shine On You Crazy Diamond" (Partes. 1-5) (David Gilmour/ Roger Waters/ Rick Wright) – 13:33
2. "Welcome to the Machine" (Roger Waters) – 7:26

Lado B
1. "Have a Cigar" (Waters) – 5:07
2. "Wish You Were Here" (Gilmour/ Waters) – 5:40
3. "Shine On You Crazy Diamond" (Partes. 6-9) (Gilmour/ Waters/ Wright) – 12:21

Para os que desejam conhecer melhor a obra desta banda, basta digitar o nome em sites de busca. No “You Tube” encontrarão diversos vídeos, mostrando a magnitude das apresentações ao vivo, onde muitos efeitos visuais eram utilizados para transmitir diversas sensações ao público.

“O espectáculo mais elaborado que os Floyd montaram foi o da digressão de The Wall, no qual um grupo de músicos contratados tocava a primeira canção usando máscaras de borracha (provando assim que os membros da banda não eram reconhecidos pelas suas personalidades individuais). Depois, um gigantesco muro era erguido, separando a banda da audiência e que no final do espectáculo era demolido por explosões. Este espectáculo foi recriado por Roger Waters em 1990 no meio das ruínas do Muro de Berlim, convidando para o efeito músicos conhecidos como Bryan Adams, Van Morrison, Scorpions, The Band, Joni Mitchell, Cyndi Lauper e Sinéad O'Connor.” (Wilkipédia, a enciclopédia livre)


* Jorge Luis é estudante de história da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e estuda a trajetória da banda de rock inglesa Pink Floyd.

sábado, 16 de maio de 2009

Pequenas perdas

"Perder-se significa ir achando
e nem saber que fazer
do que se for achando."
Clarice Lispector

Perda grande, perda pequena. Seja um pente ou um amor, salvo as devidas proporções, fará falta, com certeza. E digo isso por experiência. Sou um eterno perdedor. Perdedor de papéis, perdedor de momentos, de pessoas. Perco a hora, perco o foco, perco o tesão pelas coisas. Se você já perdeu algo ou alguém, deve saber bem do que eu estou falando. Daquele momentâneo desespero por não saber em que raio de bolso você guardou aquele papel anotado o nome e o telefone dela, ou dele. Daquela ponta de saudade que dá quando você abraça um amigo por saber que ele vai embora, seja por ora, por meses ou pra sempre, e já te aviso que se for pra sempre vai doer muito mais. Perder momentos é dolorido também, principalmente porque momentos não se repetem jamais. Um por do sol que você não assistiu, uma festa que pré julgou ser chata, uma piscada malandra, que você não viu porque não olhou pra trás. Aparentemente, são pequenas perdas e só.

Perder esvazia a gente. Cada coisa, pessoa, que a gente perde, leva um pedacinho nosso. E é justamente esse pedacinho que nos faz revirar a gaveta, a casa, a rua, a cidade procurando e procurando pelo bentido pedacinho-seu daquela sua coisa. Dependendo do que for, leva um pedação. Aí perde-se um braço, um pulmão, dois litros de sangue e mais de três terços do seu coração. É por isso que dói, que faz falta.

Eu tenho perdido o time de algumas coisas. Tenho perdido algumas pessoas. Perder sem achar. Faz falta.

Lucas
http://dreadluc.blogspot.com/

sábado, 21 de março de 2009

Quem ela é?

Essa menina, essa garota, essa mulher

A procura do que quer

Um beijo, um sorriso, um abraço

Pra ter a certeza que nada é por acaso

Definitivamente esse é o seu jeito

Não é pra qualquer um

Mais pra ela o que importa

É roubar atenção de todos

De fato, os que interessam

Porque quando ela gosta... Gosta e pronto!

Então não perca seu tempo

Tentando ser quem não é para agradá-la

Porque ela costuma gostar

Das pessoas que são diferentes.

         (Crisane Oliveira)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Todas as razões que me dá.

"Meu amor, eu sabia antes de te conhecer que os meus sonhos me guardavam pra você esperando a hora de te encontrar"
(Mauro Motta/ Dudu Falcão)

Recorte do cartaz de Dez coisas que eu odeio em você (1999):

Adoro você. Adoro o cheiro da sua pele quando está sem perfume algum. Adoro o modo como você me olha quando não quer ser visto. Adoro tudo que você me diz quando não fala nada. Adoro seu jeito seguro de ser tão inseguro. Adoro sua maneira errada de fazer tudo certo. Adoro sua cara de sono quando dormiu demais. Adoro quando você demora a chegar antes da hora. Adoro seu jeito fashion de estar sempre fora-de-moda. Adoro seu cabelo penteado como quem nunca o penteou. Adoro sua rotina de sempre variar seu dia-a-dia. Adoro seu modo inovador de manter as tradições. Adoro seu jeito irritado de manter a calma. Adoro essa sua certeza ao duvidar de tanta coisa. Adoro seu talento ingênuo de negar tudo o que não falou. Adoro sua maneira egoísta de amar demais ao outro e seu jeito generoso de, às vezes, pensar só em você. Adoro o modo como continuamos juntos quando estamos tão distantes. Adoro todas suas contradições que fazem tanto sentido. Adoro o seu jeitinho tímido de me fazer te amar descaradamente. Adoro adorar você. Porque eu adoro você e esse seu modo previsível de sempre me surpreender.


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