terça-feira, 15 de junho de 2010

O que é arte?

Conceito ocidental sobre arte



“A arte é um fazer” (Bosi, 2006), transformação da matéria, produção humana que supõe trabalho e imaginação. Essa é a concepção da arte como construção, que se dá através da techné, que - de acordo com os gregos - é um modo exato de perfazer uma tarefa. Operações consideradas artísticas não são só aquelas atividades que “comovem a alma” (música, poesia, teatro, dança), mas também os ofícios de artesanato, cerâmica, tecelagem, que produzem coisas úteis e belas, através da busca por novas formas.
Arte enquanto conhecimento busca se desvencilhar da ideia de ‘representação’ – imitação ou reprodução. O artista deve desenvolver através do que ele obtém no plano de conhecimento do mundo, sua construção original de outro mundo. Por isso que foi surgindo os movimentos artísticos que quebravam a perfeição das pinturas e esculturas. O artista deve propor a construção de um mundo que não vivemos, que promova a percepção estética, um nascimento para a obra tanto para quem produz, quanto para quem contempla. Que ambos saiam transformados.
Cidreira afirma que o ideal de expressão deve se dissociar do subjetivismo. A arte exprime em nós uma energia que contém força e forma. A força estaria ligada a uma motivação e a forma a uma intencionalidade, seria o modo como somos atingidos pela nossa cultura. "Estamos em eterno exercício de modelagem” (Cidreira, 2005), essa é a comunicação que se dá através de formas simbólicas compartilhadas.
Arte é tudo aquilo que você pode modificar através do seu conhecimento sobre mundo, as influências que sua cultura exerce sobre você e nela expressar toda força intencional que resulta num produto original, seu.

Por Lorena Morais

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Referências

BOSI, Alfredo. Reflexões sobre a arte. 7 ed. São Paulo: Editora Ática, 2006

CIDREIRA, Renata Pitombo. Moda e artisticidade. In:.Os sentidos da Moda: vestuário, comunicação e cultura. São Paulo: Annablume, 2005.

FREITAS, Joselaine Borgo Fernandes de. Arte é Conhecimento, é Construção, é Expressão. In <>

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cartas

Martha Medeiros
Do livro Tudo o que eu queria te dizer

Nossa, quanta melancolia neste olhar. Você está perdendo as forças de tanto resistir a mim. E eu nem sou tão malvado assim, garota. Meu papel é apenas o de estimular sua liberdade, porque não é possível alguém ser escravo do bom comportamento o tempo todo. Pense bem: você tem mania irritante de atender a todos os telefonemas, todos. Não atenda. Deixe tocar de vez em quando, não interrompa o que estiver fazendo, mesmo que esteja deitada no sofá olhando pro teto. Não dê atenção ao chato que está chamando. E se você esquecer o aniversário da sua irmã, esqueceu, ora. Sem drama. Não caia no papo chantagista dela, todo mundo tem o direito de esquecer algumas datas, mande ela pentear macaco. E quando não estiver com vontade de dizer a verdade, minta. Quer trocar uma tarde de estudos por um banho de piscina, o que te impede? Quer sumir por uns dias? Deixe um recado “Sumirei por uns dias, tem carne congelada na geladeira” .
Agora enxugue essas lágrimas inúteis, levante este queixo e vá tratar da vida. Faça tudo o que deseja fazer. Você acha que depois de morta vai ganhar um bônus? Uma promoção pra tentar sair desse empate? Esqueça o empate. Vença. Perca. Ofereça a si mesma algum resultado.
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